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		<title>O gênero dos generosos</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 06:47:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Amary Neto</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/07/hijab_fetish_by_cainadamsson.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-189" title="Muçulmana de nikab" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/07/hijab_fetish_by_cainadamsson.jpg?w=630&#038;h=419" alt="" width="630" height="419" /></a>No ano de 1968 espalharam-se pelo mundo diversas primaveras, regadas pelo desejo de liberdade, polinizadas nos espíritos livres e enraizadas no coração da juventude das quais se nutriam. Dentre os jardins uma das flores que nascera fora chamada de Revolução Sexual. Em linhas gerais a Revolução Sexual era uma forma de libertação da tradição familiar e do fundamentalismo religioso, os dois braços da moral puritana baseada, no chamado “bom costume” da época. Da revolução dos sexos criaram-se as modas, do biquíni ao <em>top less</em>, claramente em ruptura aos valores tradicionais, uma tendência ao exibicionismo dos corpos em detrimento as vestimentas, um dualismo entre a liberdade de expressão e tradição patriarcal do Estado.</p>
<p style="text-align:justify;">A mesma França onde se iniciou os movimentos de maio de 1968, é testemunha da aprovação de uma lei, concebida pela assembléia legislativa e autenticada pelo presidente Nicolai Sarkozy, de caráter proibitivo de vestimentas e véus islâmicos, conhecidos como burcas ou nikab, pelo gênero feminino em território francês, o que pela explicitação acima, estaria de acordo com as tendências desenvolvidas desde a Revolução Sexual, o despir dos corpos<a href="/Users/Rafael%20Amary/Desktop/No%20ano%20de%201968%20espalharam.docx#_edn1">[i]</a>. Entretanto percebe-se uma diferença essencial dos movimentos de 68 e da lei validada nesse último mês, o que era uma disputa por liberdade entre segmentos sociais e valores patriarcais, ou seja, membros da sociedade contra Estado; inverteu-se no papel dos protagonistas, uma vez que a lei é de jurisdição dos poderes parlamentares.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa inversão de papéis, no entanto, envolve uma grande polêmica entre sociedade e governo e deve ser analisada por diversos fatores da argumentação de ambas as partes ao contexto político histórico inserido.</p>
<p style="text-align:justify;">A proibição das burcas é defendida pela França como uma maneira de consolidar os princípios nacionais estabelecidos pela burguesia na Revolução Francesa de 1789, cantado no tema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”; a vestimenta islâmica fere com a igualdade entre gêneros e liberdade das mulheres segundo consta a argumentação. A burca de fato é um atentado contra a identidade da mulher, representa um patriarcado reacionário e fundamentalista das religiões, rebaixa as mulheres em seu papel transformador de cidadã e impõe uma condição insustentável e  intolerável, uma vez que representa a submissão de um gênero a outro, o que viola em todos os casos os direitos humanos.</p>
<p style="text-align:justify;">Do outro lado, o conteúdo da lei e sua execução são contrapostos aos pressupostos de liberdade de expressão e liberdade religiosa, também direitos humanos com igual legitimidade, propriedade e importância que a questão de igualdade entre gêneros. A vestimenta como forma de expressão e estado de espírito deve ser de escolha individual e não deve o Estado colocar-se de maneira impositiva nas opções do indivíduo uma vez que a Indústria Cultural, Indústria da Moda e a “Ditadura da Beleza”<a href="/Users/Rafael%20Amary/Desktop/No%20ano%20de%201968%20espalharam.docx#_edn2">[ii]</a> já fazem esse vilão. A religião é outra escolha  intrinsecamente ligada a uma questão regional e cultural que deriva da fé ou não do indivíduo. Assim como é essencial que o Estado seja laico, não é interessante que o mesmo interfira na crença das pessoas, desde que essa de forma manifesta não viole leis estabelecidas e consentidas pelo bom senso, legitimada nos direitos humanos.</p>
<p style="text-align:justify;">A defesa desse ponto de vista não é a favor das burcas, mas do direito que cada pessoa tem de se manifestar e expressar-se da maneira que lhe convir. A questão do aborto faz um paralelo interessante com essa posição, veja bem, se defender o direito ao aborto não significa praticar um aborto e sim a possibilidade de cada mulher escolher se quer ou não fazer um aborto, aqui à situação expressa é a mesma, defender as burcas não significa ser positivo a sua utilização, mas ao direito de cada mulher querer ou não vesti-las por mais contraditória que seja seu uso. Portanto a burca deveria ser combatida por outros meios, a informação e educação, e nunca por uma imposição do Estado, o regulador da propriedade e do patriarcado.</p>
<p style="text-align:justify;">Outra contradição aparente é a perspectiva do governo; se por um lado a origem do governo se estabelece pelo consentimento de corpo político à submissão a leis que regulem a liberdade dos povos e seja sua finalidade tão somente o bem público, sua manutenção e a defesa dos interesses dos representados, nesse caso a igualdade de gêneros, é notório que a fundação do governo também é estabelecida pela preservação da propriedade e conseqüência irrefutável do sistema patriarcal. Como um regime onde o patriarcado é mascarado se preocupará com a igualdade de gêneros?</p>
<p style="text-align:justify;">O estado francês não está interessado na igualdade de gêneros. Não é pauta política da comunidade européia a diferença de tratamento e relações entre homens e mulheres, mas sim a diferença políticas e econômicas entre europeus e não europeus.  O real motivo para a proposta, aprovação e execução da “<em>lei das burcas</em>” é a restrição a imigrantes ao território europeu e o controle étnico das regiões. A questão feminista aqui é uma marionete dos interesses do Estado.</p>
<p style="text-align:justify;">A imigração, principalmente de árabes, para a União Européia (UE) a muito tende a causar tensões geopolíticas; como não se bastasse o seqüestro, os saques e as barbáries que os europeus executaram no processo de colonização, a vinda de imigrantes, fartos da miséria e pobreza resultadas da política (neo) colonial e imperialista  da globalização, é tratada com racismo e xenofobismo por parte da comunidade européia.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao mesmo tempo que a Europa acusa os imigrantes de roubarem os empregos europeus, aumentarem a violência urbana e baixarem os índices de desenvolvimento humano de seus países (IDH); não percebem ou omitem que a crise do capitalismo proveniente desse darwinismo social<a href="/Users/Rafael%20Amary/Desktop/No%20ano%20de%201968%20espalharam.docx#_edn3">[iii]</a>, desse modo predador de organização econômica, foi amenizada justamente pela mão-de-obra barata desses povos não europeus e pela massa consumidora que esses representam. Os imigrantes, além de vítimas do preconceito étnico, são bodes expiatórios do Estado que transferem-lhes a responsabilidade de incapacidade de gestão política, econômica e social à migração desses povos.</p>
<p style="text-align:justify;">Somados a esses fatores apresentam-se o medo traumático de 11 de setembro, onde uma milícia islâmica a ordem do Talibã de Osama Bin Laden promoveu um ataque ao <em>World Trade Center</em> (WCT) em Nova Iorque. Desde então, os islâmicos são personificados como terroristas, intolerantes e bárbaros. Esquecem-se dos últimos vinte um séculos, as cruzadas e as missões, os navegadores e os piratas, os bandeirantes, os colonos e aristocratas, os escravocatas e os traficantes, os reis e as rainhas, os tiranos e déspotas, os fascistas, os nazistas e os stalinistas, imperialistas e neo-liberais, corruptos e ditadores, quem eram mesmo os terroristas?</p>
<p style="text-align:justify;">Da Revolução Sexual a proibição das burcas o que menos se discutiu foi o interesse das mulheres e a igualdade de gêneros; o controle ao transito humano além de racista e xenófobo é uma violação no direito natural de ir e vir. A política é instrumento de manifestação social expressa e exclusiva dos interesses comuns; o Estado serve a si próprio, da tirania particular a propriedade patriarcal. Portanto, ao mesmo tempo em que estamos nus perante as arbitrariedades das nações, escondemos os rostos ao confrontá-lo e pintamos de preto as ideologias, devemos vestir burcas em luto (e luta) pela política. <a href="/Users/Rafael%20Amary/Desktop/No%20ano%20de%201968%20espalharam.docx#_edn6">[iv]</a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/07/the_black_block.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-192" title="Black Blocks" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/07/the_black_block.jpg?w=630&#038;h=424" alt="" width="630" height="424" /></a></p>
<hr size="1" />
<p style="text-align:justify;"><a href="/Users/Rafael%20Amary/Desktop/No%20ano%20de%201968%20espalharam.docx#_ednref1">[i]</a> Tanto a burca como a exposição sexual dos corpos atentam contra a liberdade da mulher. Nos dois casos as mulheres são colocadas apenas como objetos, e instrumentos de conservação do patriarcado. Tanto o liberalismo da Revolução Sexual como o fundamentalismo religioso das burcas ferem a dignidade humana.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="/Users/Rafael%20Amary/Desktop/No%20ano%20de%201968%20espalharam.docx#_ednref2">[ii]</a> Termo em referência aos padrões de beleza estabelecido pela comunicação social</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="/Users/Rafael%20Amary/Desktop/No%20ano%20de%201968%20espalharam.docx#_ednref3">[iii]</a> Termo em referência as leis de seleção natural do cientista inglês Charles Darwin  inseridos em um contexto social, a lei do mais forte sobre as relações humanas</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="/Users/Rafael%20Amary/Desktop/No%20ano%20de%201968%20espalharam.docx#_ednref6">[iv]</a> Burcas em um sistema metafórico, representação da militância ativista nas ruas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/michelamaryneto.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/michelamaryneto.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/michelamaryneto.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/michelamaryneto.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/michelamaryneto.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/michelamaryneto.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/michelamaryneto.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/michelamaryneto.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/michelamaryneto.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/michelamaryneto.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/michelamaryneto.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/michelamaryneto.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/michelamaryneto.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/michelamaryneto.wordpress.com/187/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=michelamaryneto.wordpress.com&amp;blog=6326966&amp;post=187&amp;subd=michelamaryneto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Amores de inverno, romances de verão</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jul 2010 05:17:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Amary Neto</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/07/pismestrovic_07072009_1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-176" title="pismestrovic_07072009_1" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/07/pismestrovic_07072009_1.jpg?w=739&#038;h=406" alt="" width="739" height="406" /></a>O inverno mal acaba de chegar e os ventos passados de uma guerra adormecida parecem incitar faíscas nas memórias gélidas de duas potências aquecendo os bastidores da política internacional. A relação Casa Branca e Kremlin, sedes dos governos norte-americano e russo respectivamente, parece abalada essa semana com a suposta acusação de espionagem, relembrando os tempos de Guerra Fria.</p>
<p style="text-align:justify;">A Guerra Fria é marcada pelo pós-guerra (Segunda Guerra Mundial) onde, Estados Unidos e URSS polarizaram o mundo em uma disputa ideológica marcada pelo temor da guerra nuclear, trauma dos ataques destinados ao Japão. Nesse período a competição ideológica estendia-se para além da dominação político-econômica, como se expressava na disputa tecnológica e cultural. Eram comuns os processos de perseguições políticas e espionagens entre os rivais.</p>
<p style="text-align:justify;">Passado as ditaduras na America Latina, as guerras na Ásia (Vietnam e Afeganistão) e a tirania do arquipélago Gulag, a falência do capitalismo de Estado promovido pela URSS configurou soberania e potência absoluta para o liberalismo econômico americano reinstituir o neo-colonialismo. Desde então, a prepotência militar norte-americana associada ao consentimento político da força exibiu seu poder econômico, inflando aos olhos do mundo o <em>american life way</em>, sob o esquecimento da Rússia que como estado independente, desmoralizava-se declarando moratória através das vodcas do presidente Yeltsin.</p>
<p style="text-align:justify;">À pegar carona na contextualização histórica, hoje percebe-se uma estabilidade russa, após ascensão política de Vladimir Putin que governou o país até 2007, inserida em um cenário econômico intermediário, encorpando a já conhecida personagem política, respeitada no Conselho de Segurança da ONU exclusivamente pelo poderio militar. Do outro lado, observa-se um princípio de recessão econômica mascarada na força politica e na figura do primeiro presidente negro norte-americano, Barack Obama.</p>
<p style="text-align:justify;">A notícia que a policia federal (FBI) prendeu onze pessoas suspeitas de espionagem para o governo de Kremlin surpreendeu o mundo, uma vez que, os países diplomaticamente haviam se aproximando; fato consumado na “reunião dos hambúrgueres”, onde os presidentes Obama e Medvedev apreciaram entre lanches e batatas fritas inclusive uma relação política informal e cordial. Não seria de se estranhar que na acusação do FBI resgata-se a memória das décadas anteriores e dos conflitos históricos entre Washington e Moscou, na ressalva que a comparação entre os momentos só equivale aos métodos; não há pertinência de uma comparação a Guerra Fria no sentido ideológico porque embora a Rússia tenha passado por um capitalismo de Estado que contrapôs o neo-liberalismo norte-americano, hoje os países adotam as mesmas regras no jogo e seguem suas tendências políticas de acordo com as cartas dos mercados.</p>
<p style="text-align:justify;">A análise do fato apresentando pelo governo norte-americano pode passar pela conspiração, pela revanche e ainda pode incluir um novo personagem na história. </p>
<p style="text-align:justify;">A interpretação da conspiração sugere a hipótese de que grupos conservadores internos do governo norte-americano forjaram as acusações com base nas recentes aproximações entre os ambos os governos, diagnosticadas como de desinteresse para os yankes. Essa avaliação conspiratória é digna das mais belas ficções hollywoodianas como Jack Bauer, mas como já dizia Guevara, executado justamente por uma dessas conspirações: “<em>não se pode confiar no imperialismo, nem um tanto assim</em>”</p>
<p style="text-align:justify;">A tese da revanche sustenta uma versão mais objetiva para os fatos, os espiões são verídicos e demonstram a inimizade do governo russo com o norte-americano. Ao vislumbrar informações de Estado, os russos reconhecem espontaneamente os Estados Unidos como inimigo, e escondem um interesse maior pautado em questões estratégicas e tecnológicas.</p>
<p style="text-align:justify;">Dentre essas duas hipóteses, um misterioso personagem aparece no lugar e na hora errada; e  quase que propositalmente vira alvo da nostalgia da Guerra Fria. A Ucrânia, ex-república soviete, propôs um novo acordo sobre o gás para os Russos. Coincidentemente a secretaria de Estado norte-americana, Hillary Clinton em visita a Kiev, abriu as portas da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que na Guerra Fria era o contraponto do Pacto de Varsóvia, para a Ucrânia.</p>
<p style="text-align:justify;">A Ucrânia em 2006 protagonizou uma grande tensão com a Rússia devido aos gasodutos. Como principal rota do gás russo para a Europa, ou seja, principal distribuidora dessa energia para o continente, reivindicou o reajuste sobre o preço do produto exercido pela Rússia. Como resultado houve um corte do fornecimento de gás para União Européia e uma eminência de guerra entre os dois países. Acordados e próximos, 2010 chega ao meio com um novo acordo proposto pelo presidente ucraniano, Yanukovich, pautando a ampliação dos gasodutos em território ucraniano, medida considerada lucrativa pelos governos e conformidade com a política de Moscou.</p>
<p style="text-align:justify;">Na outra frente, a secretaria de Estado norte-americana em visita oficial a Kiev declara apoio a entrada da Ucrânia na OTAN, afirmando a soberania e independência do país e declarando que como tal o país deve fazer alianças com quem se sentir de direito.</p>
<p style="text-align:justify;">Os interesses das partes envolvidas são óbvios. Para os russos um acordo com a Ucrânia ascenderia seu ego como potência local e desembocaria na nova oportunidade de negócios energéticos com ampliação da distribuição e abastecimento de gás para a União Européia. Para os EUA uma aliança com a Ucrânia reafirmaria o imperialismo americano em um recado muito claro aos seus antigos desafetos, “estamos aqui!”. Já a Ucrânia nesse amor reprimido entre as duas nações visa tirar um pouquinho daqui, outro tantinho de lá, com o desaviso de que com marido e mulher, não se mete a colher.</p>
<p style="text-align:justify;">O fato que esse flerte entre Ucrânia e Rússia com a ciumenta manifestação de interesse e doses de insinuações dos Estados Unidos, somadas aos recentes acontecimentos de espionagem entre os governos, não revela apenas os amores platônicos entre dois rivais, mas a obsessão compulsiva entre os países motivados pelos interesses econômicos de competirem entre si. Se por um lado uma oposição ao imperialismo sempre traz a esperança da primavera, o outono lembra que a disputa deriva do poder e da reprodução dos métodos atuais.  Enquanto a saia justa desse inverno apresenta-se como resquícios de amores passados, o mundo espera com atenção a chegada do verão; com novos romances capazes de derreter as lembranças perigosas entre esses dois gigantes.</p>
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		<title>Chutes, pontapés e &#8220;vai Planeta!&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jun 2010 17:21:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Amary Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[aquecimento global]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/82bd5c348b4d4ed898e62a5c6d50940e.jpg"></a><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/gulf-oil-spill-killing-wildlife-brown-pelican-wings_21352_600x450.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-153" title="gulf-oil-spill-killing-wildlife-brown-pelican-wings_21352_600x450" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/gulf-oil-spill-killing-wildlife-brown-pelican-wings_21352_600x450.jpg?w=710&#038;h=339" alt="" width="710" height="339" /></a>Há algum tempo o mundo acompanha o desastre ecológico ocorrido no Golfo do México provocado pelo vazamento de petróleo da companhia britânica <em>British Petroleum</em> (BP) sem a observação dos avanços de políticas de despoluição do Oceano Pacífico. O vazamento de óleo no Golfo do México, justificado por um acidente entre uma plataforma, momento de crise econômica e preocupação ambiental, traz conseqüências graves a sociedade norte-americana e convida, dos resquícios do <em>american life way</em>,  a uma nova reflexão do desenvolvimento social sustentável.</p>
<p style="text-align:justify;">No fato observado, considera-se o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos, com a liberação de 95 mil barris de petróleo diários expelidos ao mar desde maio de 2010. Como dano ambiental a catástrofe é irreparável, desestabiliza biomas, desregula as correntes marítimas, expande-se para outras regiões, ameaça a vida de espécies não humanas e o equilíbrio biológico da região. A poluição no Golfo do México é uma questão de relevância imediata se considerar que a destruição de um bioma equilibrado tem como conseqüência a ocorrência de um encadeamento de desastres naturais.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/d08_23197103.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-151" title="d08_23197103" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/d08_23197103.jpg?w=374&#038;h=284" alt="" width="374" height="284" /></a> A vida terrestre veio do mar, as algas marinhas são responsáveis pela maior parte de liberação de oxigênio na atmosfera da Terra. Quando o planeta estava em fase de formação, foram as algas que equilibraram os gases tóxicos e derivados de carbono e enxofre expelidos pelas tensões sísmicas tornando o ar respirável. O aquecimento global que na última década transformou-se em pauta internacional devido a política de produção capitalistas e da perspectiva irresponsável da humanidade ao se colocar como parte externa da natureza, acreditando que o meio-ambiente, em uma visão quase religiosa, é um m<a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/d11_23181779.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-152" title="d11_23181779" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/d11_23181779.jpg?w=372&#038;h=223" alt="" width="372" height="223" /></a>eio ilimitado a ser explorado pelo que se caracterizou de progresso social, é evidenciado pelo aceleramento constante no aumento das temperaturas do planeta, derivada do efeito estufa pela emissão de gases como o metano e o dióxido de carbono. O aumento das temperaturas seria responsável pelo derretimento das calotas polares, aumento do nível dos oceanos, deserfiticação das florestas tropicais e desequilíbrios ambientais.</p>
<p style="text-align:justify;">É importante ter em mente que o aquecimento global é um movimento cíclico e comum da terra. A vida dos planetas é repartidas em intervalos de períodos glaciais e inter-glaciais; a espécie humana e o modo de vida como se conhece, é uma adaptação do período inter-glacial. Assim como o efeito estufa é outro sistema natural do planeta que permite a manutenção de temperaturas habitáveis na biosfera, o aquecimento global também é irremediável; a questão crítica não é a capacidade que a humanidade têm de combater esse processo, mas sim a imensa força que a mesma têm de acelerar o processo, que ultrapassa duração milhões de anos para sua manifestação, a ponto de colocar em risco milhares de espécie e sua própria existência.</p>
<p style="text-align:justify;">Falar de aquecimento global é importante pela relação intrínseca do acidente na Lousiana com as determinações de sua ocorrência e nas políticas externas em relação ao objeto. Em caminho inverso, postas as conseqüências, propõem-se nesse momento primeiro investigar as causas macro e gerais do acidente seguido da relevância e nas diretrizes políticas resultantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Embora a discussão permeie a questão ambiental, um dos efeitos mais desastrosos do vazamento de óleo deu-se para a sociedade americana que vive na costa oeste dos EUA dependentes da indústria pesqueira.  A impossibilidade de trabalhar e a instabilidade econômica, resultado de seguidas crises em 2008 e 2010, alerta para a impossibilidade de uma economia não sustentável  e da dependência do homem em relação a natureza. </p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/2010061401.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-150" title="2010061401" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/2010061401.jpg?w=345&#038;h=246" alt="" width="345" height="246" /></a>É lógico que a responsabilidade pelos danos ocasionados deve ser assumida pela BP, mas o questionamento do <em>american life way</em>, não exime de culpa as bases produtivas expressas na terceira fase do capitalismo. A sociedade de consumo, personificada no bem estar social norte-americano, é sim responsável pelo excedente produtivo e pelos desastres ambientais do planeta. Oras, não foram as grandes montadoras de automóveis decisivas na solidificação do espírito capitalista e de uma nova etapa na Revolução Industrial? Não será o <em>Fordismo</em> responsável pela maquinizaçã<a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/82bd5c348b4d4ed898e62a5c6d50940e.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-162" title="82BD5C348B4D4ED898E62A5C6D50940E" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/82bd5c348b4d4ed898e62a5c6d50940e.jpg?w=345&#038;h=246" alt="" width="345" height="246" /></a>o individual e social na forma de produção? Ou então não será culpa da indústria que reivindicou o petróleo como matriz energética mundial? As invasões no Iraque nas duas Guerras do Golfo arquitetadas pela família Bush não tinham essas motivações? Os carros não são encarados como produtos culturais máximos do consumismo da realização do <em>status quo</em> e colocação social? Sim, todas as repostas estão inseridas no modo de vida norte-americano sustentado pelo consumo desenfreado e alienação dos meios de produção.</p>
<p style="text-align:justify;">O questionamento expresso pela indústria automobilística não se relaciona a uma possível perseguição pessoal, mas sim na consideração dessa, acompanhada das industrias bélica e de entretenimento, como a base da economia norte americana e a relação conjugal que esses três setores matém na manutenção do <em>american life way</em>, uma vez que os tanques são inseridos no contexto dos interesses econômicos da potência, o que legitima, em um darwinismo social, a invasão e usurpação de qualquer país; Hollywood contribui para a esteriotipação dos alvos e alienação social, e os motores inserem uma valorização da sociedade pelo ego. Em outras palavras a indústria bélica furta o Iraque de sua energia, o ouro negro; os filmes sintetizam os arquétipos humanos contrários ao <em>Tio Sam</em> em terroristas, e os carros grandes e luxuosos pela lógica dos bons valores sociais, expressam uma condição ilusória de que a vida da sociedade norte-americana é estável e bem sucedida.</p>
<p style="text-align:justify;">Ignorando as raízes históricas de degradação ambiental e a incapacidade de auto-análise, era de se esperar que o governo norte-americano exigisse esclarecimentos sobre o desastre ocorrido em seu litoral. O presidente Barack Obama, já desprovido da imagem messiânica construída através de sua personalidade, declarou em público que não irá aceitar mais falhas e vai punir com rigidez os responsáveis. Em um momento cômico sugeriu dar um pé na bunda dos mesmos. O questionamento acerca as afirmações do presidente poderiam apontar para uma mudança nas perspectivas política dos Estados Unidos em relação ao meio ambiente, mas soa aos cansados ouvidos do mundo como apenas um recurso retórico e diplomático em satisfação a população norte-americana.</p>
<p style="text-align:justify;">É justa a desconfiança sobre a preocupação dos Estados Unidos com o meio-ambiente. É hipócrita reinvindicars políticas frente à mídia internacional quando se é, segundo a <em>Tides Foundation</em>, o país com maior índice de emissão de carbono em todas as nações do mundo; um país que possui 5% da população mundial e consome 30% dos recursos naturais mundiais; um país em que se negou a assinar o Protocolo de Kyoto, iniciativa para redução de emissão de gases estufas, justificando-se no menor crescimento do PIB; a nação que colocou empecilhos nas Conferências  do Clima no Rio de Janeiro em 1992 e em Copenhagen em 2010, o que impediu políticas eficiente no combate a alteração do clima;  uma terra que só restam 4% das florestas originais e que 40% dos reservatórios de água doce são impróprios para o consumo, o que legitima a exploração de recursos naturais nos mercados emergentes; uma economia compulsiva, descartável e esquizofrênica que não suporta os limites de seu lixo industrial e padrões de consumo. Obama não é o responsável por tudo, mas de forma impessoal: quem lhe dá um chute na bunda?</p>
<p style="text-align:justify;">De chutes e pontapés chega-se a conclusão de que o episódio da BP marcará apenas mais uma página dos desastres ecológicos que tendem a se intensificar durante os anos com o crescimento econômico, impunidade e despreocupação com políticas efetivas. A BP pagará uma multa, a sociedade americana vai continuar a apagar o vazio de suas vidas no consumo e os Estados Unidos continuarão a serem o maior vilão ambiental de todos os tempos.  Atolados nesse mar de lama e óleo que a incapacidade dos governantes resultou, ficarão os pés das gerações futuras,  esperando pela união de seus poderes o próximo “Capitão Planeta”.</p>
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		<title>As tulipas estão murchando</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2010 23:20:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Amary Neto</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/34788393.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-130" title="34788393" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/34788393.jpg?w=300&#038;h=203" alt="" width="300" height="203" /></a>A dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 1991 desencadeou uma série de conflitos territoriais, étnicos e ideológicos que eclodem até hoje, a se ilustrar pela recente fragmentação da antiga Iugoslávia, hoje Sérvia e Montenegro e a situação desesperadora do Quirguistão onde uma guerra civil começa a mostrar suas cores.</p>
<p style="text-align:justify;">Em abril desse ano, 2010, o pequeno Quirguistão apareceu com destaque nos noticiários devido a insurreição do povo contra o então presidente Bakiyev, deposto de seu direito de governo sob <a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/08bishkek_ca0-articlelarge.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-131" title="08bishkek_CA0-articleLarge" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/08bishkek_ca0-articlelarge.jpg?w=300&#038;h=176" alt="" width="300" height="176" /></a>acusações de corrupção. Esquecido na Ásia Central aquele povo lembrava ao mundo e aos seus governantes, que são os governos que devem ter medo de seu povo e não o contrário. Em um levante popular violento, a população, organizada pelo Movimento Popular do Quirguistão (NDK) desestabilizou o governo, confrontando o exército, ocupando o congresso e exigindo a renuncia imediata do então, presidente.</p>
<p style="text-align:justify;">Após a vitória popular foi proclamada eleições, instaurado um governo provisório na tutela de Rosa Otunbayeva, a exemplo da Revolução das Tulipas (2005), e um alerta para a comunidade internacional sobre a estabilidade do país, que começa a ruir na guerrilha étnica que se espalha entre os vales quirguiz.</p>
<p style="text-align:justify;">Para entender, a origem da violência e intolerância dessas etnias deve-se apelar para um breve contexto histórico a partir da formação do bloco vermelho. O bloco da URSS que a partir do fim da Segunda Guerra Mundial bipolarizou o mundo em uma guerra ideológica com os Estados Unidos, referida como Guerra Fria, exercia soberania política e militar na Ásia Central e no Leste Europeu, conferindo uma unidade a povos diferentes. Assim como tensões étnicas da fragmentação da URSS são relatadas em inúmeros exemplos como nas províncias do Kosovo e na Chechena, o redesenho da ditadura Stalinista para a região do Vale Fergana, onde localiza-se Och e Jalalabad, principais cidades quirguiz , fomentou nas fronteiras antigas rivalidades étnicas de dois povos, os uzbeques e os quirguiz .</p>
<p style="text-align:justify;">A dissolução da URSS trouxe a esperança nas melhorias das condições de vida para todos os povos compartilhados da miséria e imposições que o “Capitalismo de Estado” anti-democrático e opressor do “Partido Comunista” exerceu sobre o bloco. Da necessidade de reestruturação econômica, política e territorial dos antigos regimes “vermelhos” e da ansiedade por governos justos e democráticos, é inserida no contexto político mundial a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), formada pelos países em desenvolvimento provenientes do bloco soviético. Entretanto, a CEI nos anos 90 destoou o discurso democrático de sua eficácia prática. As eleições freqüentemente fraudadas, as perseguições políticas e a censura da mídia mostravam de forma clara os resquícios do regime anterior incitando as massas para resistência política, dando base as Revoluções Coloridas (2000).</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/34791639.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-134" title="34791639" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/34791639.jpg?w=300&#038;h=201" alt="" width="300" height="201" /></a>As Revoluções Coloridas são os denominados movimentos populares ocorridos na Geórgia (Revolução das Rosas em 2003) na Ucrânia (Revolução Laranja em 2003) e no Quirguistão (Revolução das Tulipas em 2005) que resultaram na substituição dos governos vigentes. O pretexto para a Revolução das Tulipas foram as fraudes das eleições parlamentares em março de 2005 que sustentava o então presidente Askar Akayev.  Assim como agora, o NDK ocupou a sede presidencial e exigiu uma renuncia assinada na Rússia, após meses tortuosos <a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/347914591.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-133" title="34791459" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/347914591.jpg?w=300&#038;h=228" alt="" width="300" height="228" /></a>de conflitos entre ativistas e forças armadas. Como liderança do movimento revolucionário, o NDK não reduziu o caráter personalista e o papel das redes informais de ligação que marcava o cenário político do Quirguistão; em solução de compromisso, ascendeu ao governo Bakiyev, representante da antiga geração de políticos quirguiz, de histórico administrativo na URSS e de práticas culturalmente instauradas na burocracia da região, o que levou o caráter da revolução como reformista e a deposição do mesmo em 2010.    </p>
<p style="text-align:justify;">Os conflitos étnicos atuais expressam os anos de abusos e rivalidade raciais voltadas para aspirações de poder entre os clãs. O governo dissolvido, o caráter violento das reivindicações e a incapacidade do governo provisório resolver questões de interesses ideológicos dos grupos envolvidos refletem nas ruas um conflito étnico. A barbárie apresentada até agora, que segundo a Cruz Vermelha deixaram ao menos 171 mortos e 80 mil refugiados em apenas cinco dias de confronto, trazem a desconfiança da articulação do governo anterior sobre os bastidores do embate e chama a atenção para as entidades internacionais.</p>
<p style="text-align:justify;">A preocupação da comunidade internacional em relação ao Quirguistão, assim como em Ruanda e no Curdistão e no Kosovo,  tem menos enfoque no desastre étnico que se ameaça derradeiramente milhares de pessoas, mas sim nos interesses geopolíticos na região. O Quirguistão é desprovido de uma economia desenvolvida e com relevância para as potências mundiais, então é coerente perguntar qual a origem dos olhares atentos a esse conflito.</p>
<p style="text-align:justify;">O Quirguistão apresenta-se o centro da Ásia em uma região estrategicamente importante, uma vez que tem fronteira com a China e com o Afeganistão, além de ser conseqüência de disputas entre EUA e Rússia. Nesse cenário, EUA, Rússia e China, três potencias com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, projetam estratégias diferentes para as suas diretrizes externas no país.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/34791672.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-143" title="34791672" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/34791672.jpg?w=313&#038;h=364" alt="" width="313" height="364" /></a>Para os americanos o levante popular contra Bakiyev chamou a atenção pela diplomacia amistosa entre os dois governos, uma vez que o ex-presidente assumiu sua cadeira com auxilio norte-americano que necessitava de influência na região para instaurar bases militares a serem utilizadas na Guerra do Afeganistão. A queda de Bakiyev repercutiu por parte do governo provisório no rompimento do acordo referente às bases militares, uma vez que pelas perspectivas no país quirguiz, com as tensões eminentes entre EUA e Irã, o Quirguistão como aliado tornar-se-ia alvo do contingente árabe.</p>
<p style="text-align:justify;">Para os russos, a preocupação revela-se em torno das bases norte-americanas que, ao mesmo tempo, seguiam como eixo central das operações afegãs e eram utilizadas de base da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), principal força militar ocidental que se contrapôs ao Pacto de Varsóvia na extinta URSS. A presença militar norte-americana perto das fronteiras russas preocupa por duas frentes: a rivalidade histórica entre os dois países e na iniciativa russa de consolidação de influência regional.</p>
<p style="text-align:justify;">Para a China as preocupações assemelham-se as russas. Principal frente econômica da região e com ascensão política nos últimos anos, a China vem roubando a hegemonia americana no contexto político-econômico internacional. Uma base militar em sua fronteira, a influência chinesa pelos mercados asiáticos é o que  desperta um alarme em relação ao pequeno vizinho.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas uma vez, os interesses neoliberais colonialistas de todos os lados demarcam seus limites se sobrepondo as assistências necessárias e humanitárias para a estabilidade social. Esquecido do mundo o Quirguistão permaneceria apagado se a Revolução das Cores não contrastasse com os interesses das potencias internacionais. O conflito étnico que se apresenta justificado pela disputa de poder é mais um exemplo da cultura imperialista inserida no cerne da política e da sociedade. Não importa a raça, a cor, a religião a etnia, ou qualquer diferença que se faça presente, o mundo é diferente, as pessoas são diferentes, e os interesses são diferentes, cabe respeitar e administrar as diversidades. Nem toda flor é igual e nesse “bem me quer mal me quer”, a cultura de dominação, esta para deixar as tulipas sem pétalas.  </p>
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		<title>Se não dançam todos, não dança ninguém</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Jun 2010 15:59:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Amary Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde a Revolução Iraniana as relações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã tornaram-se hostis, acelerando o ritmo da música a partir da questão nuclear colocada recentemente em pauta na pista de dança mundial. A Revolução Iraniana de 1979, também chamada de Revolução Islâmica,  derrubou um regime monárquico pró-ocidente que recebia apoio norte-americano e inglês, instaurando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=michelamaryneto.wordpress.com&amp;blog=6326966&amp;post=112&amp;subd=michelamaryneto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/minyaturiran5.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-119" title="minyaturiran5" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/minyaturiran5.jpg?w=250&#038;h=360" alt="" width="250" height="360" /></a>D<img class="alignleft" title="Revolução Iraniana" src="http://l.yimg.com/g/images/spaceball.gif" alt="" width="1" height="1" />esde a Revolução Iraniana as relações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã tornaram-se hostis, acelerando o ritmo da música a partir da questão nuclear colocada recentemente em pauta na pista de dança mundial.</p>
<p style="text-align:justify;">A Revolução Iraniana de 1979, também chamada de Revolução Islâmica,  derrubou um regime monárquico pró-ocidente que recebia apoio norte-americano e inglês, instaurando uma república nacionalista teocrática fundamentado as bases do governo na figura dos aiatolás. O mérito de a política estar submetida a interesses religiosos incomoda, uma vez que a autonomia política e dos poderes é essencial para manutenção de um estado justo e democrático, mas não vem ao caso discutir a estrutura de poder instaurada e sim o que essa hierarquia propiciou. No caso iraniano a revolução trouxe uma alternativa anti-imperialista e uma maneira de se posicionar contra a política neo-colonialista que os Estado Unidos, até hoje, implanta e principalmente a expansão ideológica e de resistência aos outros países da região, uma vez que colocava em risco os regimes sunitas instaurados com apoio ocidental no Oriente Médio. Para os norte-americanos a Revolução Islâmica  apresentou uma ameaça iminente; foi uma derrota ideológica em plena Guerra Fria e uma derrocada política no projeto de dominação econômica na região, estrategicamente importante por ser a maior produtora de petróleo e combustíveis fósseis, principal matriz energética mundial.</p>
<p style="text-align:justify;">Do ponto de vista da Guerra Fria, o posicionamento do Irã foi um marco. Desde a Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos impuseram sua soberania, projetando o Conselho de Segurança da ONU, onde tem poder de veto; instaurando o dólar como referencia econômica internacional; instalando mais de 300 bases militares na Europa e na Ásia, impondo medidas liberais e intervindo politicamente em decisões externas a seu país. A soberania americana não se deu justamente pelo contraponto da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A partir daí, EUA e URSS, disputavam ideologicamente o exercício da hegemonia mundial. Nesse contexto é que s norte-americanos promoveram as Ditaduras na América do Sul e apoiaram Autocracias Sunitas no Oriente Médio. A Revolução Iraniana foi o primeiro ataque a suposta estabilidade da região.</p>
<p style="text-align:justify;">Anos mais tarde com a dissolução da URSS, o mapa da geopolítica internacional ficou a mercê dos norte-americanos que podiam desenhar seus interesses para todos os povos sem considerar as necessidades reais das regiões.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/090609-iranmassdemonstrations.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-122" title="090609-IranMassDemonstrations" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/090609-iranmassdemonstrations.jpg?w=381&#038;h=283" alt="" width="381" height="283" /></a>É nesse contexto que o governo de Teerã dá outros acordes ao enredo mundial ao sugerir pesquisas de enriquecimento de urânio para produção de energia nuclear, de acordo com Ahmadinejad com fins pacíficos. A ameaça que o Irã representou historicamente no episódio mencionado volta-se mais uma vez em oposição aos interesses dos EUA .</p>
<p style="text-align:justify;">As sanções aprovadas pela ONU ao país persa vêm atentar para esse fato. Segundo os EUA, os mesmos que justificaram a invasão no Iraque em 2006 com mentirosas acusações sobre o governo de Bagdá em relação a armas químicas e biológicas, a produção de energia nuclear que o Irã pretende, em uma região politicamente instável, é o projeto de armar-se militarmente e tornar-se uma ameaça a estabilidade mundial. Para a comunidade internacional isso violaria o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) assinado em 1968 pela ONU.</p>
<p style="text-align:justify;">Em primeiro lugar o Irã foi acessível em relação à inspeção de suas usinas por técnicos das nações unidas e expressa veementemente que o enriquecimento de urânio é para fins energéticos e pacíficos. O mérito de ser pacífico ou não embora importante não é relevante na medida em que os mesmos que os criticam não só possuem armamentos nucleares como incentivam a produção de pesquisas militares em seu países.</p>
<p style="text-align:justify;">A Casa Branca que sempre colocou na perspectiva de sua política econômica a defesa da democracia não respeita a autonomia dos povos, não deixa as populações dançaram de acordo com o repertório de seus países. Por que os EUA podem ter armas nucleares e os iranianos não? Por que os EUA forneceram tecnologia nuclear para Israel e Pasquistão e sustentam-se em defesa ao TNP? A resposta é prepotência militar, se os países apresentam ameaça aos interesses norte-americanos e estão despreparados militarmente e desprovidos de defesa, despotamente os EUA podem impor sua cultura de dominação sobre qualquer população que não seguir o ritmo de seu Blues.</p>
<p style="text-align:justify;">É evidente que ninguém é a favor da proliferação e do incentivo ao armamento nuclear ou militar de qualquer espécie, mas os países têm o direito de se defender. O tratado de não proliferação deveria abranger também os países possuidores de armamento nuclear, pois é muito cômodo para o ocidente cobrar uma postura cuja qual não realiza.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/44985675.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-123" title="44985675" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/44985675.jpg?w=352&#038;h=254" alt="" width="352" height="254" /></a>O Irã saiu do compasso da música e deixa uma mensagem bem clara ao mundo: se não dançam todos, não dança ninguém. O motivo dos Estados Unidos até agora não terem invadido o Irã vão além das derrotas recentes no Iraque e no Afeganistão. Passa pela crise econômica mundial que restringe a possibilidade de investimentos em guerra, mas principalmente pelo ouro negro. Invadir o Irã significa um aumento exponencial nos preços do barril de petróleo o que em uma economia fragilizada e deficitária pelos mercados imobiliários de 2008 e os ventos gregos de 2010, causaria uma profunda crise mundial.</p>
<p style="text-align:justify;">O Brasil e a Turquia recentemente finalizaram um acordo com os iranianos a respeito da entrega do material enriquecido que foi desconsiderado pela comunidade internacional uma vez que continua arbitrariamente expondo sanções econômicas ao povo iraniano. A medida diplomática tomada pelo Brasil e Turquia é importante no reconhecimento do direito igual a todos, pois é por essa via que chega-se a democracia de fato.</p>
<p style="text-align:justify;">Em segundo lugar, referente a questão energética, reconhece-se o direito de cada nação utilizar-se dos recursos naturais aos quais tem disponível, nesse caso a energia nuclear seria estrategicamente importante para o desenvolvimento do Irã e poderia sim trazer melhorias de vida aquela população tão sofrida pela exploração econômica de séculos e pela firmeza do regime aiatolá, embora fique a ressalva dos perigos sociais e ambientais contrários a manutenção desse tipo de tecnologia. Embora haja discordância da matriz preterida há reconhecimento da legitimidade de exercê-la.</p>
<p style="text-align:justify;">Recortando todos os aspectos apresentados, concluí-se que os Estados Unidos ainda dão o tom musical para que as nações dancem, mas as iniciativas iranianas do passado e do presente dão ao futuro uma nova tônica de que na contemporaneidade, cada um sem pisar no pé do outro, deve ser livre para dançar no ritmo que quiser.   </p>
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		<title>Agora Davi é Palestino</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Jun 2010 14:33:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Amary Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[   “Qualquer violência por uma grande população, não é porque essa população é mais violenta que qualquer outra. É um alarme, um aviso, um sinal de que algo esta errado no tratamento dessa população”. As palavras de Amira Hass, jornalista israelense, apresentam um outro diagnostico do conflito entre Israel e Palestina contextualizando na crítica, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=michelamaryneto.wordpress.com&amp;blog=6326966&amp;post=68&amp;subd=michelamaryneto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/palestina1.jpg"><img class="size-medium wp-image-69 aligncenter" title="palestina1" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/palestina1.jpg?w=642&#038;h=358" alt="" width="642" height="358" /></a></em></p>
<p><em> </em> </p>
<p style="text-align:justify;"><em>“Qualquer violência por uma grande população, não é porque essa população é mais violenta que qualquer outra. É um alarme, um aviso, um sinal de que algo esta errado no tratamento dessa população”.</em> As palavras de Amira Hass, jornalista israelense, apresentam um outro diagnostico do conflito entre Israel e Palestina contextualizando na crítica, o descompromisso irresponsável no julgamento em que as Nações Unidas (ONU) e a mídia ocidental expressam sobre o Oriente Médio.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse artigo tem por objetivo não discutir as questões recentes envolvendo a questão palestina, mas sim apresentar um histórico sobre a região, causas e possíveis motivos para o conflito e um exame do tratamento sobre o mesmo por parte do Ocidente.</p>
<p style="text-align:justify;">O Oriente Médio é uma região complexa de ser analisada devido a tradição cultural forte e uma questão econômica estratégica. Toda a história da região tem uma fundação sólida na religião, na diversidade de sua manifestação e na incompreensão e intolerância por parte de grupos fundamentalistas. Embora seja o berço das três principais religiões monoteístas do planeta, o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo, torna-se justo apresentar um recorte recente do contexto histórico desse conflito, uma vez que é equivocado considerar as tensões do Oriente Médio como seculares e congênitas como é tratada miticamente pela imprensa internacional.</p>
<p style="text-align:justify;">O povo judeu sofreu duas grandes diásporas, uma pelos babilônios e outras pelos romanos. A última deve-se a destruição de Jerusalém pelo Império Romano tendo como conseqüência a expansão do povo judaico pela Europa. A partir do século XIX crescia na Europa o preconceito com outras raças e o anti-semitismo, o que levou a idealização e disseminação do Sionismo, concebido para a criação de um Estado Judeu de acordo com a terra designada a esse povo por “Deus”. A primeira consideração a se fazer é tratamento do Estado de Israel como um estado sionista, a critica é reservada unicamente ao Sionismo uma vez embora exerçam soberania política são minoria na comunidade judaica. Outra verdade a se constatar é que o Sionismo parte de uma premissa religiosa inconcebível para a determinação laica de Estado e da política, embora os árabes também fundamentem sua política na religião. Não entrando no mérito da Teocracia para não cometer anacronismos, a terra que os sionistas dizem ser prometidas por Deus, já estava ocupada pelos árabes há séculos e antes da diáspora romana, foi retirada dos Hebreus e Filisteus (hoje palestinos) pelo Império Babilônico, o que invalida dizer que o território antes de palestino era judeu.</p>
<p style="text-align:justify;">A origem real do conflito Israel &#8211; Palestina tem como causa os eventos históricos ocorridos no início do século XX. O horror da Segunda Guerra Mundial e as atrocidades cometidas no holocausto promoveram a migração dos judeus perseguidos na Europa, a consolidação do Sionismo e a evidente necessidade para a comunidade judaica da criação de um Estado Judeu. A dívida histórica e o movimento de descolonização dos mercados africanos e asiáticos, deram condições necessárias aos sionistas para pressionarem a Inglaterra na idealização de um estado para os judeus, consentido e proposto nas Nações Unidas na área da Palestina, colônia britânica desde a dissolução do Império Turco Otomano na Primeira Guerra Mundial e lugar preterido pelo nacionalismo judeu.</p>
<p style="text-align:justify;">A Europa não tem legitimidade para decidir sobre interesses de territórios não europeus sem considerar a necessidade dos povos que ali habitam. Os palestinos não eram nazistas, nem erram responsáveis pelo holocausto, não deveriam pagar a dívida histórica que a Europa tem com a comunidade judaica. O fato é que a ONU com oposição dos países árabes impôs arbitrariamente a divisão da Palestina em duas nações, um estado árabe e um estado judeu. Aos árabes seriam disponibilizados 43% das terras apesar de possuírem 2/3 da população de deterem 92% das terras até então, aos judeus foram colocados 56% das terras sendo que detinham 1/3 da população em 8% das terras ate então. Os judeus em minoria não só ganharam quantitativamente como ganharam em qualidade uma vez que possuíam as terras mais férteis.</p>
<p style="text-align:justify;">Aproveitando do preparo militar, do apoio econômico e político estrangeiro e das iniciativas hostis dos países árabes (Liga Árabe) em reconhecimento ao Estado Sionista (representado em ofensivas e no Dia do Perdão) o governo sionista imediatamente atuou por duas frentes: a ocupação militar das principais cidades árabes na Palestina e o financiamento fiscal do estado para povoar as novas áreas. O novo estado judeu, com a ocupação do exército deteve primeiramente 78% do território Palestino com exceção da Cisjordânia que ficou sobre domínio da Jordânia e a Faixa de Gaza sobre o domínio egípcio, ambas conquistadas por Israel em 1967 após a Guerra dos Seis Dias, colocando assim 700 mil palestinos em campos de refugiados e desapropriando 400 mil palestinos de suas casas.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/3548615503_1c4ff94329.jpg"><img class="size-medium wp-image-84 alignright" title="3548615503_1c4ff94329" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/3548615503_1c4ff94329.jpg?w=300&#038;h=211" alt="" width="300" height="211" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Israel exerce dominação política, opressão econômica e submissão social; aos palestinos restava se humilhar sob uma ocupação ou viver como despossuídos no exterior uma vez que a comunidade internacional por motivações estratégicas ideológicas econômicas se omite em relação ao conflito. O processo de paz mediado pelos Estados Unidos, acordado em Oslo em 1993 pela Autoridade Palestina (AP) e o governo de Israel após a Entifada que assassinou mais de 1.100 palestinos entre 250 crianças, trouxe uma nova forma de dominação israelense sobre o povo palestin<a href="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/4285185450_cc3dba664e.jpg"><img class="size-medium wp-image-70 alignright" title="4285185450_cc3dba664e" src="http://michelamaryneto.files.wordpress.com/2010/06/4285185450_cc3dba664e.jpg?w=300&#038;h=211" alt="" width="300" height="211" /></a>o baseada no neo-colonialismo visando uma situação de dependência: direitos econômicos e sociais como educação, saúde, ir e vir foram suprimidos abaixando todos os indicadores econômicos para a região enquanto ao mesmo tempo, os Kibutz (assentamentos judeus) expandiram-se pelas áreas férteis dobrando o número de colonizadores sobre as terras ocupadas. É cômodo para o ocidente acreditar que não há ocupação enquanto todos os acontecimentos propõem um caminho inverso uma vez que Israel determina soberanamente as condições de vida daquela população.</p>
<p style="text-align:justify;">Não é de se espantar que a Autoridade Palestina perdeu força de representação perante seu povo durante o Tratado de Oslo o que permitiu a formação de novos grupos para-militares e extremistas como o Hamas que em 2006 assumiu democraticamente o controle político de representação. O terrorismo promovido pelo Hamas, Hezbollah e outros grupos extremistas é um dos motivos para que a desconfiança paire perante o povo palestino e é argumento para a comunidade internacional esteriotipar a população local e desmobilizar a verdade sobre o conflito. Assim como os judeus não são sionistas os palestinos também não são terroristas.</p>
<p style="text-align:justify;">O breve histórico revela que as motivações do conflito vão alem das questões étnicas e territorial e coloca em evidência o desrespeito as leis internacionais e direitos humanos por parte de Israel uma vez que há ocupação militar em Gaza e Cisjordânia viola a 4ª Convenção de Genebra, referida a expropriar terras, deportar pessoas, restringir liberdades de movimento, colocar uma população em pobreza e desemprego, destruir a economia e retirar direitos políticos e civis. As motivações econômicas, políticas e religiosas externas aos dois protagonistas é o que na realidade legitima o holocausto que os judeus promovem contra os palestinos.</p>
<p>A energia é a questão central para manutenção econômica do conflito. O Oriente Médio controla a principal matriz energética utilizada no mundo; ricos em reservas e combustíveis fósseis a região mantém os maiores membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e é um ponto estratégico para questão energética. A mesma motivação que leva os Estados Unidos promoverem a Guerra do Golfo em 1991, e invadirem o Afeganistão em 2002 e Iraque em 2005 a ameaçarem o Irã com sansões econômicas, justifica o financiamento econômico e militar de Israel que passa a ser parceiro estratégico no Oriente Médio.</p>
<p style="text-align:justify;">O interesse ideológico na região começa na Guerra Fria e na bipolarização do mundo entre americanos e soviéticos. A Revolução Islâmica ocorrida em 1979 no Irã, fundando uma republica Teocrática com apoio da URSS acaba por criar uma hostilidade aparente ate hoje entre árabes e americanos. Os atentados sobre a embaixada americana no Kuait, sobre o World Trade Center, e as preventivas da Guerra do Golfo, do Iraque e do Afeganistão, com derrotas virtuais dos EUA, ilustram o nacionalismo árabe como resistência a política econômica neoliberal e revelam a tensão política entre as partes. O auxilio econômico a Israel é importante para o Ocidente como indicativo de tentativa de dominação cultural, exercício de influência e imposição do neoliberalismo sobre a região.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma questão a se relevar é que a comunidade judaica nos EUA é muito forte economicamente e a principal financiadora de candidatos as eleições para o congresso. O Comitê de Ação Pro-Israel contribuiu com 43.725 milhões para cada candidato que votar nas indicações do AIPAC (Comitê de Assuntos EUA-Israel) Colocar-se contra a política de Israel significa para os americanos perder a eleição. Isso implica em uma parceria intrínseca entre Israel e os congressistas americanos, que resulta no suporte econômico assistido a Israel que supera os investimentos americanos em todos os países combinados juntos, chegando ao montante de 108 bilhões de dólares de 1949 a 2006.</p>
<p style="text-align:justify;">A ontologia da sociedade (excluída interesses econômicos e políticos) no auxilio do ocidente a Israel deve-se a diversos fatores: o primeiro é o medo de terrorismo, traumas dos atentados anteriores justificados por toda essa opressão, o segundo é o desconhecimento da realidade palestina uma vez que esta é colocada de forma tendenciosa pelos grandes veículos de comunicação. A terceira é a dívida histórica em relação ao holocausto. E a quarta por mais hipocondríaca que seja é o apoio das comunidades fundamentalistas cristãs que acreditam que os judeus devem permanecer em Jerusalém para sofrer os absurdos castigos do Apocalipse.</p>
<p style="text-align:justify;">O terrorismo da maneira expressa por Amira Hass no inicio do artigo é uma conseqüência das políticas opressoras, xenofóbicas e genocidas que o estado sionista promovem na ocupação Palestina. As pessoas não têm liberdade nem direitos civis ou políticos, são desrespeitadas e assassinadas nas ruas, tem suas casas desapropriadas por colonos, não tem emprego ou fonte de renda, não estudam e não tem assistência médica, perdem suas terras para assentamentos, são cercadas por muros e vivem com uma mira apontada em suas cabeças, o terrorismo não é uma forma legítima ou justa de luta, mas é compreensível perante as circunstâncias. Um homem bomba nasce do descaso do Ocidente para com aquele povo. O Ocidente deveria sentir culpa e não medo.</p>
<p style="text-align:justify;">Os grandes veículos de comunicação não expressam a realidade do povo palestino unicamente por questão de lobby, uma vez que a comunidade judaica como no governo também tem importante participação nos meios de comunicação, publicidade e marketing.</p>
<p style="text-align:justify;">Outro ponto importante é o trauma causado pelo nazismo. Tornou-se padrão confundir a critica a política de dominação sionista como anti-semitismo. O Sionismo promove um holocausto na Palestina, a critica é levada ao “nazismo judaico’ denominado sionista e não ao povo judeu. Israel dentre os 191 países reconhecidos pela ONU é o maior indicado em crimes políticos, de guerra e internacionais. Indiciado ao Conselho de Segurança mais de 40 vezes e todas inocentadas pelo poder de veto dos EUA.</p>
<p style="text-align:justify;">Em relação a comunidade cristã americana o texto silencia em menção de pena ao absurdo proposto.</p>
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<p style="text-align:justify;">Passando pelos relatos históricos e pela analise das relações diplomáticas e dos fatores congnicíveis do conflito, conclui-se que enquanto os interesses econômicos e políticos forem levados a uma lógica inexorável de valorização do material e do lucro em detrimento ao humano a instabilidade social no Oriente Médio perdurará. Não há mais alternativas para a dissolução do Estado de Israel, mas a resistência e mobilização contra o Sionismo e necessária e a única alternativa para um projeto de pacificação e uma convivência mútua. O primeiro passo é a devolução da dignidade ao povo palestino. Hoje Davi é palestino.</p>
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		<title>Dez minutos, por favor!</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Aug 2008 03:46:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Amary Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[Instruções para o público: Calvino em suas viagens pelas noites de inverno diria para você relaxar; concentrar-se; afastar-se de qualquer outro pensamento para que o mundo se dissolve no indefinido. Fechar a porta, desligar a televisão, escolher a posição mais cômoda, sentado, deitado, estendido, encolhido; de costas, de lado de bruços. Confesso, seria uma façanha. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=michelamaryneto.wordpress.com&amp;blog=6326966&amp;post=13&amp;subd=michelamaryneto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Instruções para o público: Calvino em suas viagens pelas noites de inverno diria para você relaxar; concentrar-se; afastar-se de qualquer outro pensamento para que o mundo se dissolve no indefinido. Fechar a porta, desligar a televisão, escolher a posição mais cômoda, sentado, deitado, estendido, encolhido; de costas, de lado de bruços. Confesso, seria uma façanha. O computador não permite muitas posições, mas nada que uma confortável poltrona não resolva. Ajeite-se no encosto, sinta-se acolhido e; para com isso, saia do MSN por enquanto; não há regras a única instrução deferida é dedicar aqui, um pouco de seu tempo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Tempo, é justamente o tempo que Marina Abramovic, em sua primeira individual no Brasil apresentada pela Galeria Brito Cimino, busca desafiar. Nada é capaz de parar o tempo. A relação temporal com homem é dada pela utopia de um dia superá-lo, e é essa evidência, esse falso controle, demagógico e intrínseco às aspirações e inspirações humanas que talvez crie essa maratona que corremos incansavelmente no frenético caos instaurado nas grandes cidades, nas largas avenidas, no comprido cotidiano que estende-se para o dia, avançando pelas horas, nos auferindo tempo para um insuficiente tudo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">O tudo é nada porque queremos o tudo e mais um pouco, lutamos com a ditadura do tempo, que não para, mas mascaramos nosso egoísmo, o tempo é universal, mas queremos o tempo só para nós, quando mais velhos se fica mais rápido passa o tempo, mas quando temos menos tempo mais ambições almejamos, a questão temporal expressa aqui talvez seja diagnosticada pelo capitalismo, pela lei do acumulo. Acumulamos tarefas, acumulamos deveres, acumulamos as santificadas horas extras, que não significa tempo adicional, tudo isso porque aprendemos a querer sempre mais. Nessa simples palavra resume-se o todo. Na adição que está hipótese do acúmulo. Acumular é regra: mais negócios, mais carros, mais amigos, mais viagens, mais comida, mais eu, mais você, mais tudo; minimalistas nem um pouco; abraçamos o mundo superficial, linear e infinito, que não sustenta o mais e mais, de nossa realidade circular e limitada. E se mais é o certo, óbvio, não precisamos ceder, só necessitamos de mais tempo, tempo inexistente, mas fundamental para a vida; não para se viver, mas para sentir-se vivo; porque se dinheiro é vida, tempo é dinheiro!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Socamos, chutamos, batemos de frente, eternamente contra o tempo, brigamos como nunca, perdemos como sempre, o tempo eterno e vida curta. Relógios, cientistas, fotógrafos, nenhuma de nossas armas freia o tempo, a não ser o artista, nas palavras do próprio tempo, traduzidas por Luis Fernando Veríssimo em “O Arteiro e o Tempo”:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;"><span> </span>- É. Ele pode me fazer parar, como o relojoeiro ou o macaco com o martelo. Pode me virar ao avesso para me examinar como o cientista. Pode me congelar ,como o fotógrafo. Mas só ele pode mais.</span></i></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">- Pode o que?</span></i></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">- Pode desafiar a minha ditadura.</span></i></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Marina Abramovic é uma dessas artistas, seu desafio não é o conflito com o tempo, não é juntar o passado, presente e futuro, na mesma tela, não é telegrafar um instante de tempo e guardá-lo no consciente coletivo, seu grande feito está nas performances que como ela abraça o “inimigo”; caminha de mãos dadas mostrando que o tempo existe, que há e sobra, que o castigo vem dos homens e do estilo de vida que adotamos; o tempo do seu escritório, o tempo do seu trânsito, o tempo do seu lazer, não é o seu tempo, é desperdiço. O tempo nosso, está em nós mesmos e é isso que a artista e seu <i>Transitory Object for Human Use</i> [Objeto transitório para uso humano] desperta para cada um.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Acupuntura, spa, divãs, nada que um museu não permita, sua arte é delicadamente alternativa sensorial, sem nenhuma imposição visual como Kapoor muito menos impressões táteis terapêuticas de Lygia Clark. A obra interage diretamente com o público, mas não agrega em sensações e sim na reflexão individual, pessoal e temporal de cada um.<span>  </span>É uma arte de autoconhecimento, meditativa, e natural. O diálogo do corpo com a natureza. Ametistas, quartzos, pedras, metais. Energia natural com espírito corporal, sem misticismo, sem ritual. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Como cientista de nós mesmos começamos vestindo seu “Parangolé”; o jaleco branco <i>Blending-in Coats </i>e logo passamos pela primeira experiência <i>Time Energize </i>que situa dois pontos no chão sobrepostos ao magnetismo dos hemisférios norte e sul. Dez minutos depois <i>Magnetic Walk </i>nos dá a sensação do peso do mundo pela longa vereda. <i>Doube Edge For No Human Use, </i>explora a agonia de querer subir e machucar-se, apela para nós mesmos e nossas escolha, não há atalhos sem cortes, caminhos sem feridas. Contemplado o futuro é hora despir-se das imposições dogmáticas da sociedade, do estabelecimento do certo e deitar-se na <i>Soul Operation Table,</i> operação de uma hora com cores e néon.<span>  </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">No andar se cima é o momento da observação, do pós-operatório. Sentar, refletir, conhecer-se em <i>Rejuvenetor of the Astral Balance</i>. Deitar-se de pé, deitar-se sentado, deitar-se esticado, sobre sua série de dragões, [<i>Dragon Black, White and Red</i>]. E após um banho de camomila em <i>Reprogramming Levitation Module, </i><span>esperar a<i> </i>alta da artista, do tempo e de nós em <i>Waiting Room.</i> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Parecendo mais uma clínica do que uma galeria, mais uma meditação do que arte, Marina Abramovic presenteia o público não com metafísica, filosofia e intelectualidade, mas com um trabalho, que teve origem aqui mesmo no Brasil em 1989, e que a casa retorna para provar que o tempo é agora, e nós quem fazemos. Não falei de tempo ao citar as obras, mas é principalmente dele que se trata, pode ficar horas ou minutos em cada estrutura, vai sentir a mesma coisa, nada! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Um nada que está em tudo, porque é na participação, na reflexão terapêutica e na troca em que consistem esses objetos transitórios para uso humanos, não é uma experiência mística ou ritual do espírito é apenas você, a obra só existe em você, e o tempo também.<span>  </span>Marina quer seu tempo e lhe dá no trabalho uma experiência, se não boa, relaxante. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:right;text-indent:35.45pt;line-height:150%;" align="right"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">“<i>Se algo visível para algo invisível, então algo invisível torna-se algo visível” </i></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/michelamaryneto.wordpress.com/13/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/michelamaryneto.wordpress.com/13/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/michelamaryneto.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/michelamaryneto.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/michelamaryneto.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/michelamaryneto.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/michelamaryneto.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/michelamaryneto.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/michelamaryneto.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/michelamaryneto.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/michelamaryneto.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/michelamaryneto.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/michelamaryneto.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/michelamaryneto.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/michelamaryneto.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/michelamaryneto.wordpress.com/13/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=michelamaryneto.wordpress.com&amp;blog=6326966&amp;post=13&amp;subd=michelamaryneto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Rei, Bispo e Artista</title>
		<link>http://michelamaryneto.wordpress.com/2008/07/23/rei-bispo-e-artista/</link>
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		<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 04:46:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Amary Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Arte Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Semiótica]]></category>
		<category><![CDATA[Marcel Duchamp]]></category>
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		<description><![CDATA[Pode alguém fazer obras que não sejam de arte? &#8220;Picasso tornou visível o nosso século; Duchamp nos mostrou que todas as artes, sem excluir a dos olhos, nascem e terminam em uma zona invisível. À lucidez do instinto opôs o instinto da lucidez: o invisível não é obscuro nem misterioso, mas transparente&#8230;&#8221; a observação de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=michelamaryneto.wordpress.com&amp;blog=6326966&amp;post=12&amp;subd=michelamaryneto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:right;text-indent:35.45pt;line-height:150%;" align="right"><i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Pode alguém fazer obras que não sejam de arte?</span></i><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">&#8220;Picasso tornou visível o nosso século; Duchamp nos mostrou que todas as artes, sem excluir a dos olhos, nascem e terminam em uma zona invisível. À lucidez do instinto opôs o instinto da lucidez: o invisível não é obscuro nem misterioso, mas transparente&#8230;&#8221;</span></i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;"> a observação de Octavio Paz no livro “Marcel Duchamp ou o Castelo da Pureza” é o reduto em que se percebe a importância desse franco-americano no que se refere à história da arte. Se Picasso transformou a arte na manifestação da forma como vida, Duchamp, não menos importante, revolucionou, na constatação da vida como arte. Influência de onze entre dez artistas contemporâneos, Marcel Duchamp, mais que polêmico, é o divisor de águas fundamental para entender o que era arte é o se fazer arte, o antes e o agora.</span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">O conceito tradicional de arte, respaldado no clássico e no romântico, no belo e no sublime, na pintura e na escultura desde o tempo da renascença vem confrontando-se, revezando-se e reinventando-se a cada nova vanguarda. Das formas proporcionais à ‘disformes’ cubistas, passando pela luz iluminada do impressionismo, toda arte moderna sempre foi, senão, a repetição dos mesmos dilemas, razão e sensação, pela transformação no sentido formal da obra. O gesto mudava, a luz variava, a forma misturava, mas sempre presente, a inexorável áurea plástica da obra de arte, o sagrado, o inatingível, arte retiniana, para ser consumida, para ser apreciada. Duchamp aparece da mesmice como o ‘anti-artista’, rompendo com todos os paradigmas do que era arte até então; se até Picasso a arte se reproduzia originalmente entre paredes e museus, molduras e paspatours, olhares e apreciação, representando a superioridade da intelectualidade e do talento humano como legado narcisista de nossa civilização, após Marcel a arte renascia para um mundo que paralelamente se reconstruía no caos do cotidiano, das ‘quase virais’ indústrias e das monstruosas cidades, do erotismo a da moralidade, da guerra certa e do pacifismo errado, da arte como parte da vida e da vida como processo de arte. </span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Duchamp torna-se o  maior artista do século XX pelo simples motivo de não descobrir uma nova forma de representação dos objetos artísticos, instaurados e copiados dos sistemas tradicionais de arte, mas justamente por desconsiderá-los; em outras palavras, por não ter feito nada e com esse nada ter construído tudo. Cada artista, desde os renascentistas, vem instaurando novas técnicas, formas de pintar e matérias, mas sempre respaldados pela forma já consolidada e tradicional; o que muda são os gestos, mas os processos, os dilemas, os objetos são sempre os mesmos, o que Duchamp fez foi subtrair as já saturadas constatações para outra ótica, seu foco não é mais formal, mas processual, a arte vem do conceito, do processo artístico, da vida e desse modo funde-se com o real renovando todo objeto artístico, instaurando uma nova ordem, onde toda arte é vida e tudo na vida pode ser arte. </span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Com essa nova arte, Duchamp é convidado ilustre no aniversário de 60 anos do MAM (Museu de Arte Moderna) na exposição, inaugurada dia 15 de julho, “Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra de arte” curada pela especialista no artista, Elena Filipovic. </span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Com contribuições de grandes instituições como o Centre Pompidou (Paris), Indiana University Art Museum; e principalmente do Philadephia Museum of Art, a mostra torna-se a maior apresentação do mestre na América Latina constando de 120 obras fundamentais para entender a arte incompreensível que faz-se nos dias de hoje.</span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Duchamp foi um artista de mais polêmicas e embates do que propriamente um produtor de obras em grande escala, talvez isso se deva pela obsessão e interesse pelo xadrez que após um tempo negligenciou o artista para as artes plásticas aposentando-o do labor artístico para concentrar-se integralmente na função estratégica e profissional do jogo. Esse fato não diminui em nada a genialidade e a importância de seu trabalho para a estética (filosofia). Duchamp se não apresenta um número exagerado de obras, por pensá-la como estética, como conceito, como anti-arte, possui a coleção mais intrigante do pensar arte.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Contemporâneo dos surrealistas e dos dadaístas, e testemunha dos avanços tecnológicos na arte, a fotografia, Duchamp apropria e dialoga com essas vanguardas de maneira muito aberta em suas obras. </span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">A primeira peça em destaque na sala do MAM é <i>Bicycle Wheel</i> (1913) em português &#8220;Roda de Bicicleta&#8221;. Primeiro ready-made criado pelo artista, a obra é desenvolvida por um banco de madeira sobreposto por um aro de bicicleta, ambos presos pelo garfo da própria, onde, na medida que o banco encontra-se como base e a roda apresenta-se como elemento superior livre de movimentos. Aqui, muito mais que a relação dicotômica do movimento que a roda poderia realizar contraposta pela estática do banco, o que se discute é a inserção de objetos cotidianos como objetos de arte e assim a vida como arte. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">O conceito de ready-made, desenvolvido pelo artista, define-se no rompimento com os suportes específicos de arte, pintura e escultura, transferindo para a arte a plataforma da vida, da rotina, do cotidiano. É o transporte de um elemento da vida diária, a priori, não estabelecido como objeto artístico, como obra de arte, do modo que, não é o labor visual ou formal da obra que está em questão, mas a lucidez do conceito, da escolha e do processo de se pensar a obra.</span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"> </span><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Instalação, happening, performaces; o ready-made pode ser considerado responsável e precursor de todas as tendências formais da arte contemporânea, é o marco inicial que separa o moderno e o pós-moderno, a originalidade e o contemporâneo. </span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">La Mariée mise à nu par sés celibataires, même</span></i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;"> [A noiva despida por seus celibatários, mesmos] popularmente chamada de &#8220;Grande Vidro&#8221; (1915 à 1925) aparece para os críticos como a obra mais festejada e fundamental para a compreensão da proposta &#8220;duchampiana”. Aqui ele se apropria praticamente de todos os temas e elementos essenciais do seu fazer arte. A obra é descrita por duas grandes lâminas de vidro, uma sobre a outra, onde na parte superior encontra-se a “noiva” em abstração flutuando nas nuvens e abaixo “os celibatários” feitos de fios, tecidos e outros materiais envoltos a uma engrenagem de moinho de café. Não há consenso para o entendimento da obra como matéria lógica, exata, narrativa como até então se escrevia a história da arte, o que importa é o questionamento, a transparência do suporte, sua onipresença (tamanho) e sua fragilidade (material), o aspecto mecânico das imagens (homem e máquina), o tema erótico (noiva e os celibatários), a incorporação do acaso no desenvolvimento do trabalho (iniciado em 1915 e inacabado e abandonado em 1925) e até mesmo a sátira no nome da obra em francês, que pela sonoridade aproxima “<i>Même</i>” (mesmos) com “<i>m’aime</i>” (me ame).</span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Fontaine</span></i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;"> (1917) aparece como a obra mais polêmica da coleção de Duchamp. A biografia dessa obra pode ser considerada como exemplo máximo da discussão e enfrentamento que incitou sobre o conceito de tradição na arte. Consolidado e respeitado como artista, o protagonista foi convidado a participar do seleto júri de um importante evento autônomo de arte, o &#8220;Salão dos Independentes&#8221;. Hiper-ativo, não conformado apenas com a responsabilidade de julgar, ele inscreveu um urinol de banheiro, sobre pseudônimo e assinatura de <i>R. Mutt</i>, para concorrer com milhares de outras obras de autores anônimos. Alegando a produção industrial em série, um objeto comum e sem labor manual, o júri negou veementemente a proposta secreta de Duchamp que discorreu sobre repulsa. Por que aquele objeto não poderia ser arte? O objeto estava assinado (ironia ao valor artístico da obra), possuía forma passível de interpretação (disposta diferentemente do modo típico de instalação da louça em banheiros) e principalmente era fruto de uma escolha, de um processo intelectual do artista de conceituar ou teorizar um objeto como obra de arte.<br /></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">A iconoclastia de Duchamp não foi revelada; esquecida até sua morte, a fonte despertou-se quando  pública, fez-se, <span style="font-style:italic;">&#8220;Boíte-en-Valíse&#8221; </span>(1935 à 1941),   uma caixa colecionavél, pensada como &#8220;mala museu&#8221; que apresentava   réplicas em miniaturas, reproduções, de todas suas obras; constando inclusive, para surpresa de todos, do incompreendido urinol. A partir daí o provocante ready-made tornou-se a obra de arte mais estudada e discutida no fim do século para a definição do que podemos chamar ou não de arte. </span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Em relação à pintura, Duchamp aparece com menor brilho, mas com a mesma polêmica e o sarcasmo ácido de sempre. Três obras aparentemente se destacam: <i>Nù Descendant L’escadier </i>(1912); <i>Phamacy</i> (1914) e <i>L.H.O.O.Q</i>. (1919) </span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">A primeira representa grandes traços do modernismo, principalmente cubista e futurista retratando uma forma, disforme e abstrata, descendo (movimento pela sobreposição da ação) uma possível escada. A coloração marrom amarelada em uma ação humana, de forma maquinal apelava não para a representação da pintura como forma de registro histórico ou de sensação, mas única e exclusivamente a representação da realidade como fluxo, não como a vemos, sentimos ou percebemos. Sua intenção era de conquistar o movimento, simulacro da vida, para arte, o que na pintura imagem estática era impossível.</span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Pharmacy</span></i><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;"> por sua vez, já constava da interação da vida à obra. Esse quadro é pintado exatamente sobre o original de um autor anônimo sobreposto por três pontos vermelhos na pintura. A pintura aqui traz não só o elemento vida, mas como a discussão freqüente de sua obra do que é original em arte.</span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Por último <i>L.H.O.O.Q</i> é uma paródia satírica de Gioconda de Da Vinci, a tela apropria-se de um pôster em que na composição, Duchamp, acrescenta cavanhaque e bigode a figura de Mona Lisa. Novamente discute-se o conceito de original, da reprodução, do erotismo (evidenciado no sarcasmo da sigla em francês que assemelha-se à &#8220;Elle A Chaud Au Cul” traduzida para “Ela tem fogo no rabo”), da arte como simulacro da vida e principalmente da santificação da obra de arte criada apenas para ser vista e apreciada e não vivida. </span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Para arte, estética e  vida, respectivamente rei, bispo e artista! Falar de Duchamp torna-se suspeito, por sua importância e admiração, impossível, pela contrariedade instigante e mistérios de suas obras, mas essencial para perceber e compreender a arte como um todo. Se ainda destacam-se <i>Fresh Window (1920)</i>, <i>Rotoreliefs</i> (1935) e sua série de fotografias travestida de <i>Madame Rrose Sélavy</i>, termino esse ensaio nas palavras de Filipovic: <i>“sua obra é como se fosse uma grande partida de xadrez: astuta, complexa e inteligente”</i>.</span><span style="line-height:150%;font-size:10px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:36px;"></span><span style="line-height:150%;font-size:36px;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;"> </span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/michelamaryneto.wordpress.com/12/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/michelamaryneto.wordpress.com/12/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/michelamaryneto.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/michelamaryneto.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/michelamaryneto.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/michelamaryneto.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/michelamaryneto.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/michelamaryneto.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/michelamaryneto.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/michelamaryneto.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/michelamaryneto.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/michelamaryneto.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/michelamaryneto.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/michelamaryneto.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/michelamaryneto.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/michelamaryneto.wordpress.com/12/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=michelamaryneto.wordpress.com&amp;blog=6326966&amp;post=12&amp;subd=michelamaryneto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Colírios</title>
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		<pubDate>Sun, 18 May 2008 03:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Amary Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A busca da identidade é a busca incessante de deter ou tornar mais lento o fluxo, de solidificar o fluido, de dar forma ao disforme. Lutamos para negar, ou pelo menos encobrir, a terrível fluidez logo abaixo do fino envoltório da forma; tentamos desviar os olhos de vistas que eles não podem penetrar ou absorver. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=michelamaryneto.wordpress.com&amp;blog=6326966&amp;post=11&amp;subd=michelamaryneto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><em><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">A busca da identidade é a busca incessante de deter ou tornar mais lento o fluxo, de solidificar o fluido, de dar forma ao disforme. Lutamos para negar, ou pelo menos encobrir, a terrível fluidez logo abaixo do fino envoltório da forma; tentamos desviar os olhos de vistas que eles não podem penetrar ou absorver. Z. Bauman</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><em><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;">A citação do sociólogo polonês Zygmund Bauman revela o conceito de arte, um modelo de vida, que buscamos seguir para suprir a ausência de sentido, a falta de razão, sem perguntarmo-nos pelo por que, sem preocuparmo-nos em ser; apenas o guia, o manual, instantâneo e descartável, de uma sociedade idealizada e utópica. O que buscamos tanto nas artes, como no se fazer arte, para o existir é a chamada identidade; é justificarmos um mundo em estética; idealizada na harmonia, na lógica, na consistência, que paralelamente, na fluidez da antitese, solidifica o fluxo da experiência. Não percebemos que a identidade não atrasa nem detém esse fluxo, a experiência é que supre o desejo de existir. Dessa forma podemos definir que a sociedade hoje, desconhecida de si, apresenta-se em um período de modernidade líquida, como conceituou o filósofo ou quase líquida como colocou-se na exposição ‘Quase Líquido’ em destaque no Itaú Cultural com curadoria de Cauê Alves.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;">A modernidade líquida como denominamos é abrir a janela e observar em seu limitado tempo as ruas. Solidificamos nossas vidas nos prédios, arranha-céus; nos becos e vielas das grandes metrópoles, tudo é duro, tudo é áspero, tudo é sólido. Tingimos de cinza as matizes. Cobrimos de concreto o ar. Desenhamos novas paisagens sobre a vida. Todas a tangência das formas que se apresentam aos olhos como objetos sólidos, vazios e sem importância nesse cotidiano sem ser, na verdade é apenas figuração que faz-se protagonista na pós-modernidade. Essa crosta é líquida porque nós somos líquidos. O poder não esta na tradição e no que construímos mas no que somos capazes de fazer. A relação de poder na pós-modernidade não está na onipotência de nosso desenvolvimento, mas no modo evasivo e flexível como é exercido. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;">A comunicação e o desenvolvimento das tecnologias nos permitiram transpor completamente uma nova relação de tempo e espaço, encurtamento das distâncias e velocidade de informação. Tudo muda constantemente e instantaneamente, o descartável é o novo e é essa sensação cruel que reflete em nossas vidas, essa é a verdadeira essência na sociedade moderna, somos descartáveis, não há razões, não há heróis, nem há motivos, tudo que temos é o hoje, o agora. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;">É essa sensação de quase líquidos que se esvai e evapora na atmosfera que nos causa angústia e virtual conformidade para uma mentira transposta no passado, em epopéias, romances e deuses que nos dão a frágil sensação de ser; por algo e por alguém. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;">Ser líquido, entretanto, ultrapassa o cerco das metáforas, ser líquido é mais que uma figura de linguagem quando por qualidade ou conseqüência social percebemos que nos comportamos de modo particular, sem forma estática e definida,<span>  </span>mas sempre pronto a transformação. Móveis e fluídos, mas sempre quase, para ser líquido precisamos dissolver as idéias sólidas, transpostas no clássico e no comportamento de todas as estruturas sociais, desde o acesso a informação para todos até uma ‘aparente’ liberdade que se mascara em uma falsa democracia.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;">É a água desse rio que devemos beber, é dessa fonte que ‘Quase Liquido’ transborda em metáforas, representações e arte contemporânea. Da mostra os principais destaques são Artur Lescher em duas obras, </span></em><em><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Máquina </span></em><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;">(2008) e </span></em><em><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Memória</span></em><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;"> (2008) que contrapõe a questão do moderno em duas óticas diferentes, uma vez que na primeira, transforma a modernidade da indústria e do trabalho, tão característico da revolução industrial representados na solidez do metal em esteiras em uma grande cachoeira fluida, de movimentos leves e soltos, e na segunda, apresenta um vídeo instalação em que escreve letras em um material líquido viscoso que logo se dissolve mostrando a fragilidade da memória que é substituída a todo o tempo pela quantidade e velocidade de informação e linguagens cotidianas que somos submetidos. Caos Guimarães e Rivane Neuenschwander no vídeo </span></em><em><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Inventário das Pequenas Mortes (Sopro)</span></em><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;"> (2000) que apresenta um balé de bolhas de sabão em lindas paisagens evidenciando a relação de fragilidade e leveza da vida, que em um sopro se dilui. Rosangela Rennó em </span></em><em><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Experiência de Cinema</span></em><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;"> (2004) onde discute a relação de ilusão imagética invertendo a funcionalidade do cinema projetando ao invés de uma sucessão de imagem sobre uma tela estática, uma tela em movimento construida em uma parede de gotículas de água com uma projeção fotográfica estática recriando assim a discussão dicotômica entre estático e movimento. Zezão com seus vídeo </span></em><em><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Suco Gástrico</span></em><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;"> (2008) onde relata os córregos do Rio Tietê dos quais se apropria para expressão de seus grafites, fluídos e representativos como paisagem urbana.<span>  </span>A relação do grafite como forma de arte em museu é muito conflitante, o fazer grafite se torna arte na medida que expressa uma mensagem de contestação ou não, mas que dialogue com o espaço urbano, quando transpomos essa tipologia para as telas como fazem os irmãos, Os Gêmeos, o discursso torna-se vazio, perde a essência, soa fraco pede rua, clama por becos, vocifera por muros.  Zezão, felizmente  surpreende não deixando seu habitat, mas ampliando seu alcance de forma representativa que abra o diálogo mesmo no museu do que se propõe, o casamento da cultura underground da pintura ‘suja’ das ruas com as paredes esquecidas dos córregos, transformando o feio em arte.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;">Falando em córregos deve-se citar de passagem a instalação de Eduardo Srur, </span></em><em><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Pets</span></em><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;"> (2007-08) onde o artista espalha pelas margens do rio Tietê em sua extensão na cidade de São Paulo, ‘gigantes garrafas plasticas’ despertando a atenção do público. Deixo aqui como registro sem apelar para uma discussão estética uma vez que nessa sociedade veloz e instantânea como apresentou-se aqui, o tempo se esvai como líquido muitas vezes, não possibilitando ver tudo o que gostaríamos.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><em><span style="line-height:150%;font-style:normal;font-family:Verdana;font-size:10px;">Cilindros, de Daniel Acosta, ventiladores, Hector Zamora, luz e matiz, de Lúcia Koch e muitas outras vitrines de Ana Tavares, se apresentam em ‘Quase Líquidos’ como um colírio, puro (como a arte), leve (como o ser) e fundamental (como o homem),<span>  </span>capaz de aliviar os olhos de uma sociedade da eterna irritação, da constante dor, de querer ser, mas ser sempre quase. </span></em><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;"></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/michelamaryneto.wordpress.com/11/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/michelamaryneto.wordpress.com/11/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/michelamaryneto.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/michelamaryneto.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/michelamaryneto.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/michelamaryneto.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/michelamaryneto.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/michelamaryneto.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/michelamaryneto.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/michelamaryneto.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/michelamaryneto.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/michelamaryneto.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/michelamaryneto.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/michelamaryneto.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/michelamaryneto.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/michelamaryneto.wordpress.com/11/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=michelamaryneto.wordpress.com&amp;blog=6326966&amp;post=11&amp;subd=michelamaryneto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pela última vez, Tarsila</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Feb 2008 17:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Michel Amary Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Arte Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Arte Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de 22]]></category>
		<category><![CDATA[Tarsila do Amaral]]></category>

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		<description><![CDATA[Pela última vez, Tarsila! Engano, nunca será possível uma última vez, Tarsila tornara-se sinônimo da Arte Brasileira, tal a importância da mineira para o desenvolvimento da identidade nacional tupiniquim, tal as célebres polêmicas envolvidas, tal a autoria da obra brasileira mais valiosa em termos mercadológicos. Destaque máximo na Pinacoteca do Estado até 16 de março, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=michelamaryneto.wordpress.com&amp;blog=6326966&amp;post=10&amp;subd=michelamaryneto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Pela última vez, Tarsila! Engano, nunca será possível uma última vez, Tarsila tornara-se sinônimo da Arte Brasileira, tal a importância da mineira para o desenvolvimento da identidade nacional tupiniquim, tal as célebres polêmicas envolvidas, tal a autoria da obra brasileira mais valiosa em termos mercadológicos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Destaque máximo na Pinacoteca do Estado até 16 de março, “Tarsila Viajante” comemora os 80 anos de “Abaporu”, recorde de arrecadação por uma obra nacional em um leilão, revelando a cronologia exata das fases modernistas e do mito Tarsila do Amaral.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">A primeira fase de destaque da artista é denominada “Pau-Brasil”. Obras como “São Paulo (Gazo)” (1924); “Carnaval em Madureira” (1924) “Paisagem com touro” (1925); “O mamoeiro” (1925); “A Feira” (1925), revelam o resgate da identidade nacional, da brasilidade, de uma cultura exclusiva daqui, cores caipiras, hábitos locais. Tarsila é a primeira a representar nossas formas com um traço específico. Não à toa, Tarsila e a geração de 22 é considerada o parto da arte brasileira, o rompimento com o academismo para a construção do “nosso”. Aqui, aparece a primeira polêmica, é evidente que Tarsila e companhia foram únicos na retratação do Brasil como percebiam (e não como era, vale lembrar que Tarsila e muitos outros faziam parte da Aristocracia Rural, vigente na época). Mas é inegável que ainda que se propusessem a uma arte gerada no útero do Trópico de Capricórnio, claramente, sua mãe de leite foram as tendências européias, uma vez que, como de costume, todos os artistas brasileiros de destaque, naquela época, passaram temporadas de estudos na Europa onde, aprimoraram técnicas e descobriram tendências modernas. Assim, o modernismo brasileiro não foi a original descoberta de uma cultura nacional, mas sim a adequação da identidade nacional a tendências modernas européias. Essa constatação não diminui a contribuição desse movimento para a formação nacional, se não primávamos pela autoria, certamente, podíamos nos vangloriar de pela primeira vez, relatar nossas formas, matizes e hábitos, como aparentemente pareciam ser.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">A segunda fase de Tarsila é o grande marco da artista como autora e da arte brasileira como forma. A fase “Antropofágica”, fecundada através do presente “Abaporu” para Oswald de Andrade, seu marido até então, descarta o que no Pau-Brasil consistia em originalidade e afirma conceitualmente o que propus no parágrafo acima. “A Negra” (1923); “Abaporu” (1928) e “Antropofagia” (1929) formam a tríade da arte de Tarsila, deformação das formas, cores brasileiras, e surrealismo tangente. A antropofagia propunha a “deglutinação” da cultura européia em algo brasileiro, não negava tendências anteriores para formar as nossas, mas com maturidade assumia que toda cultura é valiosa e pode ser transformada a fim de moldar-se a uma identidade própria. Enfim, assumimos nossas influências e alcançávamos o expoente máximo de nossa arte. Nessa fase Tarsila, “surrealista” se assim podemos rotulá-la, não só representou nossas formas, mas também explorou o imaginário e o onírico em telas como “A Lua” (1928) “Sono” (1928); “O Touro (Boi na Floresta)” (1928); O Lago (1928).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;">Depois do auge antropofágico, há o declínio evidenciado em sua fase social. De novo companheiro, o socialista Osório César, Tarsila influencia-se pela questão política e pelo contexto social invocado pela URSS, onde esteve de passagem. Dessa fase o grande destaque seria a obra “Operários” (1933), a retratação da classe operária, miscigenada e trabalhadora, formando a base da pirâmide social com o desenvolvimento industrial literalmente a todo vapor como plano de fundo. Aqui Tarsila não mostra-se somente influenciada pelas tendências político-sociais do leste europeu, como de forma descarada copia um cartaz russo creditado à V. Kulaguina.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:150%;"><span style="line-height:150%;font-family:Verdana;font-size:10px;"><span> </span>Artista renomada, criativa, original, de traço único e cores singulares; acabava por aqui, arranhar-se, um corte superficial que excluiria e desconsideraria a meu ver, a fase social de seu legado, marcado por: brasilidade, “deglutinação” e pela última vez, Tarsila! </span></p>
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